Manga e Saldanha

Com um grave problema de saúde, o ex-goleiro Manga voltou aos noticiários na última semana.
O pernambucano hoje tem 82 anos, vive no Equador e enfrenta um grave problema renal, agravado por uma anemia aguda. A família deve receber ajuda pra trazê-lo ao Brasil e dar continuidade ao tratamento. Ídolo do Botafogo, Manga fez parte de uma geração histórica no clube nos anos 60. Jogou ao lado de nomes como Nilton Santos, Didi, Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo e foi campeão carioca em 1961 e 1962, além de vencer o extinto Torneio Rio-São Paulo de 1962 a 1964.

As grandes atuações no Glorioso renderam a Manga a convocação para a Copa do Mundo de 1966. Inicialmente reserva de Gylmar dos Santos Neves, o goleiro foi lançado como titular para a partida decisiva da Seleção Brasileira na fase de grupos do Mundia, contra Portugal, mas teve uma tarde para se esquecer. Manga falhou no gol marcado por Simões e não evitou a derrota por 3 a 1, que custou a eliminação do Brasil. No ano seguinte, João Saldanha entra em cena na vida de Manga em um episódio comentado até hoje. Apesar das falhas no Mundial, o camisa 1 seguiu firme à frente da meta alvinegra, no time que sagrou-se campeão carioca em 1967, com os craques Gerson, Roberto e Paulo César Caju. Neste período, no entanto, o goleiro foi alvo de uma grave acusação de Saldanha, que então trabalhava como comentarista. O jornalista acusou Manga de ter se vendido ao bicheiro Castor de Andrade (à época patrono do Bangu), em uma partida contra o time da Zona Oeste. Irritado, o ex-goleiro desafiou João Saldanha a provar as acusações e a falarem pessoalmente.Saldanha, que sempre andava armado e não levava desaforo para casa, foi à sede do Botafogo, no Mourisco, em 19 de dezembro de 1967 e sacou um revólver, próximo ao local no qual estava Manga, durante o jantar de comemoração do titulo Carioca. O goleiro precisou pular um muro de quase três metros para fugir.

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